Tecnologia na escola
Caderno Especial
índice :
Pesquisa de futuro
Setor especializado é indício de que escola cuida do tema
Recursos digitais mudam até jeito de resolver prova
Jogos eletrônicos tentam prender a atenção do aluno
Colégios trocam caderno por tablet
Na Grande São Paulo, rede pública também investe no uso de netbooks
Estudante usa rede social para aprender
Alunos usam Twitter para criar microcontos em aula de português
Aluno é o centro na sala high-tech
Projeto incentiva inovação com equipamento simples
Tecnologia ajuda estudante também em aula externa
Uso consciente da internet deve ser ensinado em aula
Depoimento: “Levamos o debate ao Facebook, pois é mais eficiente”
Folha de São Paulo, domingo, 25 de setembro de 2011
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA – DANIEL VASQUES, RENATO CASTRO NEVES, RICARDO SCHWARZ e THIAGO FERNANDES.
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Pesquisa de futuro
Diante das ofertas, especialistas aconselham desvendar como a tecnologia é usada em aula
A escolha da escola do filho é muito mais que um trava-língua e os pais sabem bem disso. Em um momento tão sério quanto o da matrícula no colégio, a grande questão é saber o que, diante de ofertas tão diferentes, é o melhor para a criança ou para o adolescente.
E, quando é o quesito tecnologia que está na balança, as dúvidas aumentam na proporção em que mais e mais recursos são apresentados como inovações imprescindíveis ao aprendizado nos dias de hoje.
É natural que os pais se perguntem se os filhos precisam disso tudo. A resposta não é tão simples quanto um clique no mouse nem tão complexa quanto programar sites em HTML avançado.
O primeiro ponto que os pais devem considerar é que uma escola high-tech não deixa de ser uma escola.
Por isso, o pesquisador e professor da Universidade Stanford (EUA) Martin Carnoy recomenda atenção à pedagogia. “O segredo não é apenas olhar os produtos tecnológicos, mas saber quais métodos de ensino e que tipo de software a escola utiliza.”
O segundo passo, aconselha Renata Rubano, do Instituto Meio Ponto, é tentar reconhecer os casos em que a tecnologia é usada só como chamariz e aqueles em que ela, de fato, é voltada para o ensino. “Aparelhos de última geração podem ser puro marketing”, afirma.
Joice Regina Gogora, que presta consultoria para a implantação de tecnologia nas escolas, completa: “Mais importante que a ferramenta é [o modo] como ela é utilizada”.
Para ajudar os pais na escolha da escola, a Folha traz dicas para avaliar a tecnologia e exemplos de seu uso no ensino em colégios da capital e da Grande São Paulo.
Boa leitura e boa escolha!
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Setor especializado é indício de que escola cuida do tema
Área deve dar suporte ao ensino e planejar a compra de novos recursos
Mais importante do que se informar sobre os equipamentos de tecnologia de uma escola é saber como eles são usados no ensino. Uma dica para os pais é perguntar se há um setor para cuidar do assunto. É aí que entra o departamento de tecnologia.
Área que planeja a aquisição e o uso desses recursos no ensino, o departamento não pode ser uma ilha tecnológica dentro da escola, mas tem que criar pontes com o restante dela, para que professores e coordenadores do setor trabalhem articulados.
Por isso, os pais devem verificar qual é a afinidade do diretor do departamento tanto com tecnologia quanto com educação. Ele, afinal, precisará falar a linguagem dos equipamentos de informática e a do ensino.
No Liceu Pasteur, na zona sul, Joel Lamiral, diretor do departamento, lembra que é necessário pensar como e por que desenvolver um projeto antes de o aluno pôr a mão na massa, ou melhor, no mouse. “O trabalho pedagógico prévio é muito importante.”
No Santa Cruz, na zona oeste, há um setor que desenvolve conteúdo pedagógico informatizado, dirigido pelo pedagogo Moisés Zylbersztajn, e outro responsável pela estrutura de rede e máquinas.
“A demanda do professor é difícil de ser entendida por um técnico. Com dois departamentos, consigo traduzir para professores e para técnicos as necessidades de cada um”, diz Zylbersztajn.
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Recursos digitais mudam até jeito de resolver prova
Substituto do lápis e papel nos testes, controle remoto permite correção rápida
Esqueça o giz, a lousa e o retroprojetor. Isso ficou para trás. O que seu filho poderá encontrar quando for para a escola são instrumentos bem mais modernos.
Na visita que a Folha fez a alguns colégios de São Paulo, encontrou equipamentos tecnológicos que estão mudando a forma de os alunos receberem o conteúdo passado pelos professores.
O que antes era possível ver apenas nos livros ou com os pesados retroprojetores, agora é mostrado em tempo real em uma lupa digital. Colocando-se o aparelho sobre a pele, por exemplo, é possível ver o tecido epitelial na tela do notebook com detalhes antes imperceptíveis.
“Não fica apenas na teoria, com a professora falando na sala. A aula fica mais interessante e você enxerga na hora aquilo que ela fala”, afirma Matheus Duarte, 16, aluno do ensino médio do colégio Bandeirantes, na zona sul, que oferece o instrumento.
ATÉ A PROVA
E, quem diria, até um dos métodos escolares mais tradicionais, a prova, não resistiu ao avanço tecnológico.
Geralmente feita no papel, as avaliações começam a ganhar uma maneira diferente de ser realizada: por meio de controle remoto.
O CPS (Classroom Performance System) é um aparelho de avaliação eletrônico. Cada aluno recebe um controle com cinco alternativas. A questão é projetada numa lousa digital e, por meio de um receptor ligado ao computador, cada voto é contabilizado na hora.
“Além de agilizar o processo, seja numa revisão ou numa prova, percebemos que eles gostam desse método porque movimenta a aula”, explica o coordenador de tecnologia educacional do Bandeirantes, Mário Abbondati.
“Fica mais legal do que fazer no papel. Além disso, o resultado sai na hora e você sabe o que errou e o que acertou”, diz o estudante Guilherme Rizzo, 13.
A ferramenta também é usada para pesquisas de opinião com os alunos ou para medir o conhecimento deles sobre determinado assunto antes de começar a matéria.
A dica dos especialistas para saber se essas tecnologias realmente fazem diferença no ensino é questionar sobre como elas são aplicadas no dia a dia.
“Se a equipe pedagógica não tiver clareza de como usá-las, provavelmente os resultados não são assim tão maravilhosos”, diz a mestre em tecnologia Gabriela Eyng Possoli.
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Jogos eletrônicos tentam prender a atenção do aluno
Outro detalhe a ser levado em conta ao analisar as escolas são os softwares usados por elas, o que inclui programas de computador, jogos e livros didáticos digitais.
É preciso avaliar como tais programas são usados -por exemplo, a diferença na resolução de um problema na apostila e no computador.
Uma das formas que o São Luís, na região central, achou para complementar o ensino foi por meio de jogos educativos desenvolvidos pela própria escola, como o “batalha frutal”, mistura de batalha naval com tabuada.
Para ganhar o jogo, o aluno deve acertar as multiplicações. “Eles estudam em casa e depois jogam”, diz o coordenador do setor de tecnologia , Willian Ribeiro.
Softwares que permitem a construção de moléculas em 3D ou que facilitem a compreensão de formas geométricas são usados pelo Bandeirantes. Já o Augusto Laranja, na zona sul, tem uma biblioteca digital com cem títulos de obras clássicas.
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Colégios trocam caderno por tablet
Para especialistas, substituição é tendência e uso do recurso deve ir além da simples pesquisa
Caneta e papel ou tablet? O uso de ferramentas digitais no lugar de livros didáticos ainda está no início, mas já parece ser uma tendência. O 1 por 1, ou um computador por aluno, já é realidade em várias escolas de São Paulo.
Para os pais, ver os seus pequenos mexendo sozinhos com notebooks em casa chega a dar orgulho. Porém, na escola, só o uso das máquinas digitais não é suficiente.
Na escola bilíngue Cidade Jardim Playpen, na zona oeste, o uso misto de aulas tradicionais com o 1 por 1 começa logo no primeiro ano do ensino fundamental, com crianças de seis anos.
Lições iniciais de informática de como escrever o próprio nome em Word são aprendidas no netbook já na fase de alfabetização.
“As aulas com computadores começam cada vez mais cedo pois os alunos entram na escola com certo conhecimento adquirido em casa”, diz o professor de informática Cory Willis.
A escola planeja testar o uso de tablets no lugar dos cadernos em duas turmas do sexto ano em 2012.
Interagir com os aparelhos eletrônicos do século 21 desde cedo é uma tática defendida por Paulo Blikstein, da Escola de Educação da Universidade Stanford (EUA).
“Não tenho dúvida que o caminho é esse [1 por 1]. Se começar antes, melhor. Mas, se a escola não oferecer oportunidades para os alunos concretizarem suas ideias, a utilidade passa a ser apenas de pesquisa na internet”, pondera Blikstein.
Assim, os professores devem criar situações de interatividade e construção coletiva do conhecimento que vão além da busca no Google. Uma boa dica para verificar se isso ocorre é procurar conhecer criações de alunos da escola.
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frase
“A escola pública precisa suprir a necessidade dos alunos que não têm acesso à informática em casa”
CLEUZA REPULHO
secretária de Educação de São Bernardo do Campo
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Na Grande São Paulo, rede pública também investe no uso de netbooks
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O uso de computadores em aula não é privilégio dos alunos de escolas particulares da Grande São Paulo. Com programas e incentivos dos governos federal, estadual e municipais, colégios públicos da região também investem no sistema 1 por 1.
Em São Bernardo do Campo, a prefeitura distribuiu neste mês 15 mil netbooks entre as 69 escolas municipais de ensino fundamental. Os computadores são usados por cerca de 50 mil estudantes entre seis e 11 anos.
“O investimento [de cerca de R$ 15 milhões] visa diminuir o abismo entre o ensino público e o privado. Os alunos precisam estudar com material de ponta”, afirma a secretária municipal de Educação, Cleuza Repulho.
Na vizinha São Caetano do Sul, os 11 mil estudantes do fundamental contam com 7.000 netbooks. Ao se formarem, todos ganham a máquina que usaram no colégio.
As escolas municipais das duas cidades têm cobertura integral de internet sem fio.
UCA
Oito escolas da Grande SP participam do programa UCA (Um Computador por Aluno), do governo federal. Mais de 3.500 alunos e 226 professores receberam um netbook cada um. Na capital, foram beneficiados três colégios estaduais, além da Escola de Aplicação da USP.
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Estudante usa rede social para aprender
Escolas criam perfil próprio para compartilhar conteúdos ensinados
Com a tecnologia cada vez mais presente em seu cotidiano, as crianças fazem menos distinção entre amigos reais que moram na casa vizinha ou virtuais, que só conhecem pelo computador. Isso traz um desafio para as escolas: preparar os alunos para viver num mundo em que se desfazem as fronteiras entre on-line e off-line.
Nesse contexto, especialistas defendem que o trabalho dos educadores é ir contra posturas mais resistentes, que veem com reserva a adoção de redes sociais na escola, e usar criativamente plataformas como o Facebook.
“O pai precisa ter em mente que o papel da escola é a formação do jovem para viver no mundo contemporâneo”, diz o consultor do Centro de Estudos em Educação e Sociedade, Nelson Pretto.
Para André Meller, coordenador de comunicação e projetos do colégio Oswald de Andrade, na zona oeste, “o desafio é conseguir aproveitar o potencial de discussão e debate dessas ferramentas”.
Assim, a função da escola seria mais de mediação do que de controle das possibilidades da internet.
Para pôr em prática a ideia, o Oswald não proíbe o acesso a nenhum site em sua rede interna. Ao contrário, mantém blogs de professores e tem perfil no Twitter e no Facebook, usados para debate dos alunos na internet.
Os estudantes abraçam a ideia e também veem a iniciativa como uma forma de enriquecer o conteúdo ensinado em sala de aula.
“A gente acha muita coisa relacionada ao assunto e publica lá para os colegas verem também”, diz Joana Granjeiro, 15, aluna do primeiro ano. Sua colega Virgínia Crescenti, 15, concorda. “É uma ferramenta que faz parte da nossa época.”
MAIS QUE BATE-PAPO
O professor de português Luis Junqueira, da escola Castanheiras, em Santana de Parnaíba (Grande SP), destaca que o mais importante é “mostrar aos alunos as potencialidades que vão além do bate-papo e dos games”.
Junqueira também considera improdutivo o bloqueio de sites em escolas. “Proibir é colocar um muro na discussão, e a escola é o espaço para desenvolver relações sociais, que acontecem também pela internet.”
Ele destaca, porém, que os professores não podem perder de vista a função pedagógica de mostrar como tirar proveito das novas formas de interação que vão surgindo ao longo do tempo.
“É nosso dever mostrar aos alunos quando é melhor usar papel e lápis ou escrever num blog”, diz o professor.
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Alunos usam Twitter para criar microcontos em aula de português
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Papel e lápis ou computador com internet. Independentemente das ferramentas, o que não muda é o fato de que o desafio maior de fazer bom uso delas será sempre do professor.
Um exemplo dessa criatividade é o trabalho feito pelo professor de português Tiago Nero, do colégio Hugo Sarmento, na zona oeste. Desde 2009, ele usa o Twitter para publicar microcontos feitos por alunos do sétimo e do oitavo ano (veja textos acima).
Segundo ele, o que atrai os estudantes é o desafio de criar uma história completa com apenas 140 caracteres, limite para publicação de cada postagem no site.
“O objetivo é mostrar como uma ferramenta pode ser mais útil do que o que estamos acostumados a ver.”
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Aluno é o centro na sala high-tech
Em ambientes altamente tecnológicos, professores devem ser apenas mediadores das atividades sugeridas
Imagine uma sala de aula onde qualquer coisa pode ser feita com apenas um toque na tela de um tablet.
Futurístico demais? Não, em escolas de São Paulo a época do professor com um giz na mão em frente à lousa parece ter virado poeira.
Projetos de salas pilotos e ambientes de vanguarda em tecnologia podem ajudar a despertar o interesse e desenvolver as habilidades.
O colégio Dante Alighieri, na zona oeste, que completou cem anos neste ano, acaba de inaugurar sua primeira sala high-tech.
Automatizada, a sala possui lousa digital sensível ao toque, 32 computadores, bancada de solda para robótica, luzes nas mesas e no teto e paredes coloridas.
Duas vezes por semana, alunos de robótica colocam em prática técnicas de programação e criação de robôs. Enquanto “trabalham”, um professor do colégio faz a função de assistente.
“Me passa a fita isolante”, pede um aluno. “Onde está aquele leitor de luz novo para eu conectar ao meu robô?”, pergunta outro ao professor.
“O espaço foi pensado para os alunos interagirem o tempo todo com tecnologia. Muitas vezes, atuamos como espectadores, pois eles sabem muito mais do que nós”, disse Valdenice Minatel, coordenadora de tecnologia.
No Liceu Pasteur, o laboratório de informática passou por renovação. Teclados e mouses podem ser substituídos pelos dedos dos alunos, mas quem quiser tem opção de usar o modo tradicional.
Investimentos em espaços de tecnologia não está restrito aos colégios particulares. Em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, alunos e professores da rede municipal têm à disposição desde 2008 um centro digital, localizado no centro da cidade.
O ambiente é usado em aulas complementares, cursos de formação de professores e no desenvolvimento de conteúdos pedagógicos informatizados. Também conta com oficinas de robótica, tratamento de imagem e produção de jogos educativos.
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frases
“Precisamos projetar novos ambientes de ensino. As salas tradicionais já são história do século passado”
VALDENICE MINATEL
coordenadora de tecnologia do Dante Alighieri
“Aqui, o ato de criar é sempre o objetivo principal”
MARISTELA DE ALCÂNTARA
diretora do Centro Digital de São Caetano do Sul
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Projeto incentiva inovação com equipamento simples
Animações e fanzines são criados apenas com o uso de câmera e computador
Engana-se quem pensa que só com tecnologia de ponta alunos criam projetos que contam com grande dose de aprendizado e criatividade. Recursos avançados podem ajudar muito, mas mesmo com alguns mais simples é possível fazer a diferença.
Com equipamentos presentes em boa parte das escolas particulares, como computadores e câmeras fotográficas, alunos do nono ano da Escola Viva, na zona oeste, fizeram pequenas animações.
Durante o projeto, os adolescentes trabalharam na construção do enredo, que passa por discussões de cinema, filosofia e literatura.
Mas, se a montagem do roteiro é fundamental, a técnica de filmagem também é importante. “Já vimos filmes japoneses e alemães sem legenda, mesmo que muitos alunos não entendam, pois ela pode tirar o foco na hora de trabalhar noções de filmagem”, diz o professor de foto e vídeo Fernando Roque.
Nessa escola, porém, o uso de recursos tecnológicos não é comum nos primeiros anos do ensino fundamental. “Vemos essa questão com cuidado, pois pode ocorrer de um aluno criar um desenho fantástico no computador e ter dificuldade de usar uma tesoura”, diz a coordenadora pedagógica Silvia Viegas.
No colégio bilíngue Stance Dual, no centro, alunos do sétimo ano criaram um projeto com foco em cidadania. Eles pesquisaram sobre trabalho escravo e entrevistaram, via teleconferência, Michaela Alfred-Kamara, da ONG britânica Anti-Slavery International.
Mais inteirados do assunto, enviaram cerca de 20 cartas sobre o tema a dez empresas, nacionais e internacionais, e três delas responderam. A produção, em inglês, foi publicada em um fanzine virtual criado pelos alunos.
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frases
“A leitura [da legenda] pode tirar o foco na hora de trabalhar noções de filmagem”
FERNANDO ROQUE
professor da Escola Viva
“Medir a latitude com um aparelho é mais significativo para a aprendizagem”
FRANCISCO MERCADO
professor do Porto Seguro
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Tecnologia ajuda estudante também em aula externa
Embora haja boas produções sem muita tecnologia, nem por isso ela é dispensável. Tudo depende do trabalho a ser desenvolvido e de quais recursos são exigidos.
Alunos do colégio Visconde de Porto Seguro (unidade Morumbi, na zona oeste), por exemplo, foram a mangues e praias de Bertioga (no litoral paulista) pesquisar dados geográficos do local.
Para coletar as informações, eles utilizaram aparelhos de GPS, iPads e termômetros. Depois, em laboratório, analisaram o material recolhido. “Falar que a latitude é tal é uma coisa. Medi-la com um aparelho é mais significativo para a aprendizagem”, diz o professor de geografia Francisco Mercado.
Mas o projeto não para por aí. A escola promete criar um banco de dados virtual a que futuras turmas também terão acesso. “Queremos comparar os dados de um ano para o outro, pois as visitas a Bertioga são anuais”, afirma o professor.
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Uso consciente da internet deve ser ensinado em aula
Proibir o acesso a redes sociais, por exemplo, é deseducativo, diz especialista
Com o avanço da tecnologia e a presença cada vez maior das redes sociais, os pais ganharam um motivo a mais com que se preocupar: saber o que o filho faz na internet virou assunto sério.
Tão sério que as escolas perceberam a importância de dividir com os pais a responsabilidade de formar cidadãos não só no mundo real, mas também no virtual.
“Os pais precisam saber qual a concepção da escola sobre a internet. O laboratório e o acesso à web dizem pouco, porque podem ser limitados por uma censura que seja deseducativa, como a proibição de redes sociais”, orienta Claudemir Edson Viana, doutor em comunicação pela USP.
De acordo com Viana, essa posição em relação à internet faz diferença na educação. “É usando que se aprende o que se pode ou não fazer.”
A Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Arthur Azevedo, no Tatuapé, na zona leste, é um dos colégios da rede pública que implantaram a disciplina de informática educativa em sua grade curricular.
Nas aulas são abordados diversos assuntos, desde como os estudantes podem utilizar as ferramentas de pesquisa para auxiliar nos estudos até o uso consciente das redes sociais.
“Não proibimos o acesso. Fazemos a conscientização naturalmente, mostrando as diferenças das redes sociais e o que se pode publicar, além da questão de direitos autorais”, explica a professora Denise de Oliveira Nakano.
“Aprendemos que em todo lugar há regras, inclusive na internet”, afirma a aluna Aline Augusto, 14.
E o conteúdo não fica restrito aos estudantes. À noite, os pais participam de aulas de informática no colégio.
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DEPOIMENTO
“Levamos o debate ao Facebook, pois é mais eficiente”
Com base numa cartilha que orienta pais a protegerem filhos da pornografia virtual, Anne Beatrice Drewes, 16, teve uma ideia: criar com colegas do Porto Seguro um grupo para conscientizar crianças de dez a 14 anos e debater o assunto pelo Facebook. Leia o depoimento a seguir.
No ano passado, a professora de alemão pediu que fizéssemos uma apresentação oral com tema livre.
Fiz a minha sobre uma cartilha com orientações para os pais evitarem que seus filhos sofressem abuso sexual ao usarem a internet.
Escolhi o assunto porque quis dividir com meus colegas um projeto que achei bem interessante. A cartilha é da ONG Childhood, da qual meu pai faz parte.
Neste ano, com a ajuda de alguns colegas, tive a ideia de criar uma cartilha usando a linguagem das próprias crianças. Mas decidimos mudar o projeto.
Em vez de fazer uma cartilha, conversamos com as crianças em sala e debatemos o assunto pelo Facebook. É mais eficiente. Agora, queremos organizar uma semana com exibição de filmes sobre o tema.
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Isso não é pesquisa é pura propaganda de escolas particulares.
Volto a dizer, o comentário da minha amiga que vcs apagaram, isso NÃO é PESQUISA é pura PROPAGANDA de escolas particulares. Quem ganha com essa reportagem?
Mirely
É verdade, os comentários que ouvi falando sobre essa reportagem, não deixam dúvidas, é simplesmente propaganda de escolas particulares e não pesquisa sobre o uso da tecnologia na educação. Que falha!!!
É isso mesmo, vi essa reportagem no jornal a folha, usaram como pesquisa o uso da tecnologia nas escolas para fazer propaganda de escolas particulares, que palhaçada!